Que Momento!

Porque quando acontece algo muito marcante na sua vida, o melhor a fazer é respirar fundo e dizer: que momento!

Que Momento!

Porque quando acontece algo muito marcante na sua vida, o melhor a fazer é respirar fundo e dizer: que momento!
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Terra Blog

11.12.07

Morri?

categorias: Cotidiano
Estava eu, há alguns dias, conversando com meu amigo Marquinhos no “ême-ésse-êne”, quando, de repente, ele me lasca uma afirmação simples e expressiva: “tu tá (sic) mais quieto”. Imediatamente, respondi que, de fato, ando mais comedido, observador, com o instinto falastrão adormecido.
O problema é quando esta frente fria (vou chamar de frente fria, pois não gosto de frentes frias) afeta meus escritos, no caso, o blog. Aliás, não sei se é exatamente um problema, depende muito do ponto de vista. Blogar (do latim iscrevus et postum) é uma atividade bastante peculiar e que não depende exclusivamente de um padrão para funcionar. Há quem fale de si, dos outros, de sua relação com os outros, ou de nada disso. Blogs sobre música, futebol, fofocas, comércio de roupas de baixo, enfim, vale aquela sensação de ser dono de um espaço na internet.
Particularmente, sempre batalhei ferrenhamente tentando encontrar o lugar onde me encaixo na blogoesfera. Após muitas reflexões, algumas dispensáveis, ou melhor, todas absolutamente dispensáveis, desisti. Continuei escrevendo a esmo, sobre o que dá na telha e que me desperta certa relevância em criar algo a respeito. Se querem saber, seria muito mais fácil conseguir escrever pilhas de crônicas, ou poesias, e abastecer este bucólico espaço com dizeres enfáticos e contundentes. No entanto, não é o que acontece.
Às vezes, surge um pastelão, ou algo que cause um riso furtivo. Outro dia, uma reflexão profunda, que arranca elogios e menções honrosas. De repente, uma musiquinha pra descontrair o ambiente, disfarçar o ócio, e por aí vai. Fica quase uma categoria “encheção de lingüiça”, ou seja, o que surge é colocado no triturador e vira texto. Haja tripa.
Analisando cruamente, após experimentar toda a sorte de anseios e frustrações em decorrência da falta de um padrão nos posts, cheguei à conclusão de que o título é mais do que uma resposta aos meus constantes questionamentos. Ora, se o blog chama-se Que Momento, nada mais natural do que vivenciar os momentos através dos textos. Acreditem, cheguei a essa conclusão brilhante sozinho... ¬¬
Desencanado, finalmente, das paranóias criativas, percebi o meu óbito como blogueiro ativo. Falo daquela avidez em acessar blogs alheios, comentar, opinar, trocar “memes” e bolar discursos inventivos para atrair as massas. Com isso, muitos se foram, e a estes eu desejo muitas felicidades, muitos anos de vida. Outros ainda permanecem, timidamente, visitando esporadicamente, lendo meia-dúzia de linhas e constatando minha ausência cada vez mais constante, apesar de pouco aparente.
Eu gosto de escrever, gosto mesmo. Nesse momento, por exemplo, criar este monte de explicações desnecessárias concretiza-se no ápice de um dia chuvoso, solitário e crivado de muitas metas, planos infalíveis para roubar o coelhinho da Mônica (opa, isso não), pensamentos esparsos, viagens siderais e absortas, enfim, um transe literário, quase que um baseado em forma de texto (não que eu já tenha experimentado, mas acredito que seja uma sensação parecida).
Mas, meus caros, morri. Morri, morri, morri. Mesmo, de morte morrida. Esvaiu-se o ímpeto em abrir 0800 10 9901 blogs ao mesmo tempo, comentar em todos, postar maravilhas mirabolantes, enfim, agir como um serelepe blogueiro altamente participativo. Essa postura deve-se, naturalmente, ao momento. Sim, uma pequena fase adormecida, em clima de fim de ano, que pode durar muito, ou pouco tempo. Não classifico como falta de inspiração, pois assuntos brotam pelos poros, eu é que tenho preguiça de abrir o word e tocar ficha.
Não obstante, como bom católico apostólico romano, creio na ressurreição. Mesmo porque, já a executei várias vezes, o que torna a minha jornada blogueira um delicioso eletrocardiograma, cheio de idas e vindas, ótimas e defenestráveis fases. De qualquer forma, acredito na continuidade, ainda que em modo tropeada de lesma, da minha humilde produção textual, regada a blaterações e, vez por outra, algo que preste.
Enquanto estiver de bem com a vida e tranqüilo com o andamento das coisas, não há do que reclamar. Quem sabe, mais adiante, não desperte uma veia Arnaldo Jabor da Silva, ou Nelson Rubens de Toledo (Deus me livre, prefiro morrer seco a falar de celebridades). Quiçá, um Veríssimo em diminuta proporção. Tá, é vislumbrar demais, eu admito. Vamos ficar com o tradicional e sempre útil “não tá morto quem peleia”, e seguir escrevendo o que tivermos para o momento, que já fica de bom tamanho. Aliás, ótimo tamanho. Brincando, brincando, uma página e meia de word. =)
Sem mais, um abraço!
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  • Postado em 14:39:23

10.12.07

Correspondente Quemomentista

categorias: Cotidiano
A nove dias das férias, a preguiça de escrever aumenta vertiginosamente. Com isso, pego todos os assuntos, jogo-os no liquidificador e bato tudo num texto só, para tornar a conversa mais sucinta e não deixar passar esta segunda-feira tediosa em branco.
Se a semana começa devagar, quase parando, não se pode dizer o mesmo do fim-de-semana, que reuniu muitas emoções, nas mais variadas frentes possíveis. Já na sexta-feira, a primeira noite da apresentação de Natal do coro, que, apesar de todas as músicas serem cantadas com o acompanhamento do glorioso playback, foi uma experiência nova para mim e bem interessante.
Digamos que, como hamburguense, foi a oportunidade em que mais me senti integrado com a comunidade, ao passo que as autoridades municipais estavam presentes e havia muita gente assistindo. Sendo assim, o que faltou em emoção, sobrou no que tange ao civismo, já que um evento deste quilate realça a importância de fazer parte de um projeto canto-coral, que, como venho dizendo ao longo do ano, é uma experiência nova na minha vida.
O sábado foi igualmente um dia ímpar, que trouxe consigo outra situação nova. Sabe aquele momento em que você se vê encurralado e precisa ligar para alguém que vai te socorrer imediatamente? Pois bem, precisando levar a Ana ao aeroporto em uma hora, sem carro em casa e nunca tendo ido a Porto Alegre dirigindo, precisei pensar rápido e contar com alguém que não pensasse duas vezes para me ajudar. Superman? Chapolin Colorado? Madre Teresa? Não. Jader Bernardes. Interrompi o sono vespertino de meu amigo para vê-lo voando baixo rumo ao aeroporto e constatar que amigo de todas as horas não é coisa de cinema. Ele ouviu de mim que todos os agradecimentos não seriam suficientes, mas nossa cumplicidade é grande o bastante para ele perceber que faríamos o mesmo por ele. Mais do que a tranqüilidade de chegarmos a tempo e correr tudo bem com a viagem, conforta saber que pelo menos uma pessoa é capaz de largar tudo e sair correndo em seu socorro. Ganhei o dia e multipliquei minha felicidade.
Ontem, um descanso merecido. Como bons gaúchos, fizemos aquele churrasco clássico de domingo, inauguramos uma churrasqueira que, em um ano, nunca havia sido usada e devoramos algumas latinhas do líquido sagrado, a cerveja. Há tempos que eu não movimentava uma fumaceira lá em casa, reunindo o pessoal, jogando conversa fora e falando bobagens pra descontrair. Um delicioso momento lúdico, carne suculenta, o dia inteiro sentado embaixo da árvore, curtindo sombra e cerveja fresca. Faltou a Ana, é bem verdade, mas Floripa estava bem servida de visitante. De qualquer forma, é ótimo estar com os amigos, rever pessoas especiais que estão longe, conversar sobre os bons momentos que a vida já nos deu até agora. Por mais que o tempo passe, e por mais que haja certa descrença em relação à força dos laços, eles permanecem sólidos e intocáveis, como uma rocha imponente que dá sustentação às alegrias da vida.
Em suma, cada parágrafo desses daria um texto inteiro, mas o tempo livre já não é mais o mesmo para criar, o calor tornou-se empecilho determinante no processo criativo e, além disso, aglutinar tudo num só post é bem mais confortável e prático. Um jeito “Marquinhos” de relatar os acontecimentos e colocá-los a par do que acontece do lado de cá do computador.

Um grande abraço e boa semana aos que por aqui passam!
  • criado por  Serrano criado por Serrano
  • Postado em 10:48:37

06.12.07

Hora de sacudir a poeira

categorias: Cotidiano
Seguindo na linha dos desabafos, mas sem abusar tanto do “coitadismo”, aproveitarei a receptividade e boa vontade daqueles que por aqui passam para escrever mais um pouco sobre meus pensamentos mais particulares, algo que não faço com tanta freqüência.
Pela primeira vez, tenho que admitir: preciso de férias. Após um ano de labuta, de muita escrita, de inúmeras reflexões e aconselhamentos, o cérebro e o corpo pedem clemência. Felizmente, faltam apenas treze dias para o início do meu descanso, o que me mantém firme nesses últimos instantes de 2007. De tão bom que foi o ano, já está na hora de passar para o próximo e ver o que se aproxima.
Ontem, ao chegar em casa, deparei-me com uma situação deveras desagradável e, pra não estender muito o relato, rolou um arranca-rabo dos brabos, daqueles de fazer sair faísca em cubo de gelo. Despido da minha habitual parcimônia, acabei perdendo o controle e alterando inclusive o tom de voz, algo que eu abomino.
É tipo cometa Halley, acontece raramente, mas, ninguém tem sangue de barata e, até explicar que em briga de saci não tem rasteira, a merda já tinha sido feita. Depois que a poeira baixou, vem o sentimento de culpa, arrependimento por ter sido tão ríspido, ao passo que o ato de lamber as feridas desperta a idéia de que algo precisa ser mudado. Não sei, já estou com 22 anos, talvez esteja na hora de alçar certos vôos longe do ninho.
Aos poucos, o próximo ano começa a tomar forma, incorporar planos, metas, objetivos, tudo muito bem pensado e costumeiramente metódico, porém, são desafios a serem encarados. Posso encarar a situação como também sendo uma mudança interna, sem precisar sair de casa, mas sim do casulo que ainda me atrela à família numa simbiose que precisa chegar à próxima fase.
Evoluir, essa é a palavra. Chegou o momento de fazer uma faxina, no quarto e na vida, e jogar fora o que já não é mais tão necessário. Ainda não sei ao certo qual postura assumir, está tudo muito cru desde ontem e, mesmo de cabeça fria, elucidar este mistério não é tão simples quanto parece. Preciso conversar com algumas pessoas, trocar idéias, ouvir opiniões, para, finalmente, moldar a minha teoria e colocá-la em prática.
O dia hoje está cinzento, literal e simbolicamente, como todo momento de transição. Não é fácil sair da acomodação e sacudir as pulgas, partindo para decisões que influenciarão diretamente nos próximos capítulos.
Àqueles que leram o desabafo de ontem e se preocuparam, eu agradeço. Aos que comentaram, obrigado igualmente, sempre é bom ler diferentes pontos de vista a respeito de uma mesma idéia. Imediatamente após postar, aliviei-me de toneladas de dúvidas e anseios, tal qual está acontecendo agora. Como foi muito bem colocado num dos comentários, escrever é, sim, uma faca de dois gumes, mas, apesar da exposição, é um risco que vale à pena.
E é isso aí, a vida segue, com seus textos engraçados, românticos e melancólicos, com os que têm muito, ou pouco a dizer. Isso me lembra aquela frase do Paulo Coelho que, apesar de todas as restrições que causam suas obras e daquele rabinho ridículo no cabelo (que eu morro seco, mas não faço no meu), tem uma citação inteligente que vai servir para encerrar o post de hoje: "Nada na vida é completamente errado. Até um relógio quebrado, duas vezes ao dia está marcando a hora certa.”
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  • Postado em 10:54:28

05.12.07

Desabafando

categorias: Cotidiano

Sempre que eu tenho algum tipo de problema, pensamento negativo, ou qualquer crisezinha existencial momentânea, eu procuro direcionar meus pensamentos para coisas boas, tento refletir, analisar o que me incomoda e, rapidamente, resolver a questão, antes que ela se propague.


No entanto, hoje vou fazer diferente. Nada de resiliência, bancar o maioral, o forte. Ás vezes, cansa. Portanto, este texto não tem o intuito de receber parabéns, elogios, concordâncias, ou seja lá o que for. Aliás, nem encarem como um texto, encarem como nada. Querem saber? Encarem como quiserem, eu só quero é desabafar.


Nem sempre é legal parecer cheio de virtudes. As pessoas acabam te olhando como alguém especial, e isso cria uma espécie de pedestal inatingível que, convenhamos, não existe. Só porque o cara escreve sobre assuntos legais e otimistas, não quer dizer que a vida também não lhe pregue peças em determinados pontos.


Aliás, bem pelo contrário, quanto mais camufladas as fraquezas, mais difícil de resolvê-las. Há quem não perceba que, em certos momentos, também preciso ouvir, receber força, conselhos, declarações de afeto. Não sou uma fonte inesgotável de parcimônia e eloqüência, sempre com uma carta pronta na manga para resolver qualquer problema.


O fato de, vez por outra, enxergar a vida com outros olhos, de modo a não levar tudo tão a sério, não é sinal que minha auto-estima é inabalável e que eu também não tenha meus momentos de desânimo.


Eu nem chamaria isso tudo de ingratidão, seria injustiça da minha parte. Contudo, há uma tranqüilidade exagerada no que diz respeito ao meu temperamento por parte de gente que pensa que me conhece, mas não consegue identificar a hora em que eu também preciso de um ombro amigo.


Eu agradeço, firmemente, àqueles que estão sempre comigo, sou muito feliz com todos os meus amigos, familiares, enfim, pessoas especiais que me rodeiam. Mas, como todo ser humano imperfeito, também tenho meus momentos de solidão, onde, mesmo com tanta gente ao redor, às vezes os carinhos de uma em especial faz falta.


Conseguem visualizar? Eu, pelo menos, sempre tento observar e identificar a necessidade de alguém que gosto em receber um elogio meu, ou uma atenção especial. É claro, ninguém pode adivinhar nada, mas não custa fazer a tentativa. Prefiro surpreender positivamente, do que decepcionar pela omissão.


Eu não sou e nem quero ser perfeito, bonzinho e politicamente correto. Quero ser útil para os outros, ajudar a melhorar a vida de quem eu gosto, mas também gostaria muito que as pessoas se sentissem úteis para mim e percebessem que suas palavras podem, sim, fazer o meu dia mais ensolarado, mesmo no meio da maior chuva.


Não é porque o cara escreve textos, poesias e o raio que o parta, que qualquer outra frase mais simples não venha a comover e confortar. Escuto muito frases do tipo “eu não sei o que falar”, ou “eu não sei falar bonito que nem tu”, também já recebi muitas cartas iniciadas com essas palavras. O que as pessoas não percebem é que pouco importa o grau de cultura dos vocábulos, mas sim o sentimento que eles carregam. E, por mais que um olhar, ou um abraço, seja importante, ouvir os sentimentos materializarem-se em frases é ainda mais enriquecedor.


Pensei até em criar um blog anônimo e transformar num muro das lamentações, falar das minhas angústias, tentar resolvê-las escrevendo, mas me convenci de que não funciona, pelo contrário, só faria piorar. Preferi despir-me das vestes desse pseudo talento que atribuem a mim e que, convenhamos, não é mais do que saber articular meia-dúzia de frases. Saber escrever, meus caros, não é garantia de felicidade.


Sinto-me muito mais pleno quando estou com meus amigos, vendo-os cantar, talento que eles possuem infinitamente superior a mim, do que jogando as palavras no computador e publicando, ato este que eu considero apenas um mero passatempo.


Vaidade, para mim, é uma brincadeira simples. Já a necessidade de contar com as pessoas, uma urgência real. O que eu quero é só poder ser visto como mais um no meio da multidão, com suas qualidades e defeitos, sem especialidade nenhuma. Quem sabe, assim, o curso da vida siga sem tantos sobressaltos, por mais que eu consiga ultrapassar a maioria deles.


Se, às vezes, pensamos que o que dizemos não tem valor, percebam o quanto a ausência dessas mesmas palavras causa um grande vazio. Eu prefiro pecar por excesso, do que por omissão. Até mesmo desabafando.

  • criado por  Serrano criado por Serrano
  • Postado em 12:08:59

04.12.07

Filosofias de boteco

categorias: Refletindo
Ler outros blogs é inspirador, isso é fato. Principalmente quando se lê a opinião de alguém pela primeira vez, uma maneira até então desconhecida de se enxergar as coisas e externá-las. Pelo menos em mim, isso desperta a inspiração para também dar o meu pitaco.
Pois, foi no blog da Samanta Vicentini que eu li sobre um assunto que, volta e meia, paira no meu cérebro, forjando análises, filosofias, pequenas palestras particulares (pobre da Ana, hehehe) e adjacências.
Desde criança, sempre encarei os relacionamentos com muita seriedade. Talvez tenha sido uma válvula de escape para superar o ambiente que eu vivia dentro de casa (e que também não vem ao caso agora), mas parece que a fidelidade cresceu intrínseca aos meus sentimentos, não permitindo que eu cometesse certas atitudes que a maioria dos homens tem.
Sem generalizar, naturalmente. Por mais que as mulheres reclamem, não é assim tão difícil encontrar um homem fiel, pelo menos na minha ótica. Eu acredito nas más escolhas, e de maneira múltipla. Decepção em cima de decepção, pronto, ficam os homens taxados de sem-vergonha, enganadores e infiéis. O que acontece é que nós, homens, analisamos com cuidado a escolha da parceira, quando queremos um relacionamento sério. Já as mulheres, iludem-se com mais facilidade frente a qualquer promessa bonita, carinha de santo e boa pinta.
Existem certos aspectos na personalidade de uma pessoa que podem ser facilmente identificados como sinal de furada. Sinceridade é algo que olhar transmite, sem precisar de discurso, ou condecoração. É claro, há aqueles safados que prometem mundos e fundos, engambelando a ingenuidade de uma parceira que se entregou ao sentimento. Daí, já sabe, né, é sofrimento certo.
Contudo, é aí que eu quero chegar. O cara, se percebe que a mulher não age com transparência, põe sua desconfiança em prática e pula fora do barco. Por ser mais, digamos, prático, o homem não deposita falsas esperanças num relacionamento, caso ele não as enxergue com segurança. Já as moças, em diversos casos, permanecem acreditando na regeneração do caráter de um cara safado, por mais reincidente que ele seja.
Noves fora, elas sofrem muito mais. Não estou aqui chamando as mulheres de bobas, nem arriscaria meu couro afirmando isso. Encaro isso como elas sendo mais persistentes em seus sentimentos, aceitando os defeitos do seu amor com uma parcimônia maior, talvez pelo instinto maternal que carregam, faça com que a paciência seja melhor exercitada.
Enxergando isso, muitos homens aproveitam-se da situação e, sem dó, deitam e rolam em cima dos sentimentos da parceira, como se isso fosse o maior sinal de masculinidade do mundo. Chegamos aí naquela velha história: homem que pega todas é garanhão, mulher que pega todos é vagabunda. Por que isso? Simples, nós é que permitimos essa situação.
Se a mulher não é de confiança, a primeira coisa que o cara faz é “usar” e alertar os amigos do perigo que ela representa com sua falta de seriedade. Os outros vão lá, aproveitam também, e termina com aquele rótulo de puta. Já o cara, quando é pegador, envolve as mulheres, aproveitando-se da admiração que elas nutrem por ele, e constrói aquele rol de fãs, conseguindo até terminar com a fama de Don Juan. É claro, todas elas acreditaram que poderiam mudá-lo, tornando-o fiel e seu para sempre. O homem não faz isso. Se perceber o risco, ele logo passa adiante, para não se incomodar.
É uma crítica? Não, é constatação, que, por sinal, me envergonha sob certos aspectos. O certo seria não tornar as coisas tão avulsas e aglutinar as características masculinas e femininas em prol do bom andamento de uma relação. A confiança e persistência da mulher, somada à praticidade e perspicácia do homem, dentro de um sentimento que tenha o caráter como base, a fim de melhorar a vida da pessoa com quem se namora, e não somente descartá-la após usar, ou ter a ambição de tornar-se posseiro do coração do outro. Percebam que os dois lados têm defeitos, e isso destrói muitos sentimentos.
Não creio que todos os homens sejam lisos, e todas as mulheres grudentas. Contudo, é esse o quadro que se apresenta na maioria das vezes. Pessoalmente, já vi muitos amigos meus, que bradavam aos quatro ventos que nunca teriam nada sério com ninguém, encontrarem uma namorada que os fez felizes de fato, ou seja, transmitiram a confiança que os tornou afáveis e fiéis.
Pode parecer antiquado, mas é aquela história de encontrar a pessoa certa. A modernidade disso tudo é que pode não ser o par perfeito para sempre, mas apenas para uma determinada fase da vida, isso depende de cada um. Prefiro acreditar naquela velha máxima do “seja eterno enquanto dure”, sem me preocupar com o que já foi, ou o que virá. A plenitude do meu relacionamento está inserida na sinceridade com a qual eu ajo, não fugindo do diálogo e da demonstração constante de afeto à pessoa que eu amo (no caso, a Ana).
O resgate de sentimentos como respeito, sinceridade, confiança e fidelidade me soa como o mais urgente para que tenhamos mais felicidade nas relações amorosas. Admiro muito o cara que não tem vergonha de assumir pros amigos que está apaixonado e que uma mulher está mudando sua vida para melhor, tornando-o mais sensível em sua masculinidade, tanto quanto admiro a mulher que não se importa que o companheiro saia pra beber aquela cervejinha gelada com os amigos, pra falar de mulheres, carro e futebol.
Relacionamento é aprendizado diário, sentimento contínuo e respeito mútuo. Sempre há algo que não conhecemos na pessoa que amamos, até pelo fato de sermos metamorfoses ambulantes e modificarmos nossas maneiras de ver a vida com o passar do tempo. Entretanto, de todas, a fidelidade que mais precisa ser cultivada é a fidelidade a si próprio, aos seus sentimentos e valores. Se acreditarmos no que sentimos e formos fiéis a isso, certamente refletirá no sentimento que cultivamos com nossos pares. E aí, meus amigos, é só correr pro abraço (do parceiro, de preferência).
  • criado por  Serrano criado por Serrano
  • Postado em 10:12:15