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		<title>Que Momento!</title>
		<link>http://quemomento.blog.terra.com.br</link>
		<description>Porque quando acontece algo muito marcante na sua vida, o melhor a fazer &#233; respirar fundo e dizer: que momento!</description>
		<language>pt-BR</language>
		<docs>http://backend.userland.com/rss092</docs>
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			<title>Fim de uma etapa</title>
			<description>Dois mil e sete foi um ano de muitas mudan&#231;as significativas e, literariamente falando, de intensa transi&#231;&#227;o. Reativei, em meados de fevereiro, as postagens freq&#252;entes e, &#224; medida que o tempo passou, peguei gosto pela coisa e acabei escrevendo muito mais do que esperava. Isso tudo aconteceu no saudoso Weblogger, servidor respons&#225;vel pelo nascimento deste blog. Contudo, no m&#234;s de setembro, muitos problemas para postar acabaram acontecendo, o que impedia minha produ&#231;&#227;o textual, ent&#227;o no seu furor m&#225;ximo. At&#244;nito e sem paci&#234;ncia para aturar tanta confus&#227;o, resolvi mudar para c&#225;, um servidor aonde eu sabia que, pelo menos, poderia postar sem me preocupar com problemas de conectividade. O fim do ano aproximou-se rapidamente, e senti a necessidade de iniciar 2008 de cara nova. Tendo sido este o ano das mudan&#231;as, resolvi partir para uma fase de afirma&#231;&#227;o, dando uma nova cara para o blog e realizando algumas mexidas estrat&#233;gicas j&#225; idealizadas desde a sa&#237;da do Weblogger, que n&#227;o consegui concretizar por aqui. &#201; justamente por isso que venho anunciar que este &#233; o &#250;ltimo texto desse espa&#231;o. A vers&#227;o 2008 do Que Momento est&#225; pronta h&#225; uma semana, mas resolvi adiar um pouco sua oficializa&#231;&#227;o, para que come&#231;asse junto com minhas f&#233;rias, dando in&#237;cio &#224; freq&#252;&#234;ncia das postagens apenas no pr&#243;ximo ano. Por l&#225;, escreverei outro texto explicando alguns agrados que o novo servidor me traz, juntamente com outras informa&#231;&#245;es que julgar necess&#225;rias. Pe&#231;o que, gentilmente, aqueles que t&#234;m meu link em seus blogs alterem o endere&#231;o e sigam comigo nessa caminhada que espero que renda muitos frutos em 2008. &#201; com muita satisfa&#231;&#227;o que lhes anuncio meu novo endere&#231;o: http://massquemomento.blogspot.com Espero voc&#234;s por l&#225;! Um abra&#231;o! </description>
			<link>http://quemomento.blog.terra.com.br/fim_de_uma_etapa</link>
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			<title>F&#233;rias</title>
			<description>Quando o rel&#243;gio badalar a 18&#170; hora, come&#231;ar&#225; as minhas t&#227;o sonhadas e periodicamente citadas f&#233;rias. Descanso merecido, ap&#243;s um ano de labuta, esgotamento mental, muitos textos e muitas mudan&#231;as significativas na vida deste que vos escreve. Por mais que, l&#225; em fevereiro, quando reativei o blog, eu vislumbrasse qualquer tipo de melhorias em 2007, jamais poderia imaginar que hoje estaria nessa situa&#231;&#227;o. Por sinal, a&#237; est&#225; a gra&#231;a da vida, o fato de precisarmos diariamente agir com seriedade, para garantir as benfeitorias do que colheremos adiante. Aproveitarei, naturalmente, para passar a maior parte dos dezoito maravilhosos dias de folga na fazenda, lendo, descansando, curtindo meu pequeno para&#237;so e recuperando as energias para come&#231;ar o pr&#243;ximo ano a todo vapor. Tamb&#233;m farei algumas visitas a lugares novos (leia-se conhecer o restante da fam&#237;lia da Ana) e virei a Novo Hamburgo para passar o reveillon com meus amigos. Em termos pr&#225;ticos da blogosfera, ficarei ausente a maior parte do tempo, tanto por n&#227;o ter acesso &#224; internet, quanto por pensar que tamb&#233;m o blog necessita de um descanso, haja vista a quantidade parca de inspira&#231;&#227;o que povoou os &#250;ltimos textos. De qualquer forma, darei sinal de vida provavelmente nas datas especiais, como Natal e Ano Novo, e tamb&#233;m para fazer o balan&#231;o de dezembro e de 2007 como um todo, textos que j&#225; tenho muito bem articulados na minha cachola. A vers&#227;o 2008 do Que Momento j&#225; &#233; uma realidade, que pode assumir seu posto a qualquer momento. Explicarei, naturalmente, todos os motivos das mudan&#231;as e transforma&#231;&#245;es e espero dar seguimento a este encantamento que escrever teve durante este ano, aliado &#224;s amizades que criei com pessoas que conheci atrav&#233;s do blog, ou com amigos que come&#231;aram a escrever inspirados nas minhas humildes id&#233;ias. N&#227;o vou escrever um par&#225;grafo para cada um, como fez brilhantemente minha amiga Candy, pois isso certamente ocasionaria o excesso de caracteres do post, mas, cada um que passa, ou passou por aqui um dia e partilhou seus sentimentos e opini&#245;es comigo, creia, foi pe&#231;a decisiva e importante para que eu desse seguimento na minha partilha de desabafos, reflex&#245;es, poesias e tiradas sarc&#225;sticas e bem-humoradas. Todo e qualquer dom que possu&#237;mos, nada mais &#233; do que uma ferramenta em prol do pr&#243;ximo. De nada adiantaria eu saber articular as palavras com certa habilidade, se elas n&#227;o servissem para, pelo menos, distrair algu&#233;m que goste de ler. &#201; por isso que, mais do que simplesmente publicar o que penso, o que prego e o que sou, o fa&#231;o em agradecimento &#224; vida que tenho, com o intuito principal de mostrar-me humano, como todos s&#227;o, mas ao mesmo tempo com o &#237;mpeto que pulsa de querer melhorar o dia de quem precisa de uma palavra de apoio, esperan&#231;a, ou simplesmente uma piada para descontrair e encarar os obst&#225;culos da vida com mais suavidade. Escrever todos esses meses, quase que diariamente, foi uma experi&#234;ncia de crescimento &#250;nica, pela qual vou zelar o m&#225;ximo poss&#237;vel e incentivar sempre a intera&#231;&#227;o e crescimento m&#250;tuo entre os que l&#234;em e postam. Sem qualquer pretens&#227;o, mas com a vontade de, a cada &#8220;que momento&#8221;, eternizar fatos que, por descuido, passam despercebidos em nossas jornadas. Agrade&#231;o, sinceramente, a todos os elogios, cr&#237;ticas e coment&#225;rios que recebi, como tamb&#233;m aos que somente despendem parte de seu tempo lendo meus textos. Por me ajudarem nas horas em que a inspira&#231;&#227;o faltou, ou que a tristeza bateu, ou por partilharem as tantas alegrias que aqui publiquei. Obrigado, de cora&#231;&#227;o. Amanh&#227; e sexta, por continuar em Novo Hamburgo, eu provavelmente poste mais alguma coisa, antes da partida para o Natal, portanto, n&#227;o oficializarei qualquer breve despedida. De qualquer forma, a cada minuto que passa, minhas f&#233;rias se aproximam, e isso por si s&#243; caracteriza a despedida da empresa neste ano que passei inteiro aqui dentro, de onde sa&#237;ram noventa por cento dos textos aqui publicados. Vou sentir saudades. De escrever, n&#227;o de trabalhar.</description>
			<link>http://quemomento.blog.terra.com.br/ferias</link>
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			<title>Carta ao Papai Noel</title>
			<description>Buenas, Noel! A uma semana do Natal, acredito que a correria j&#225; fa&#231;a parte da sua realidade presenteadora. Mas, n&#227;o se preocupe, aqui n&#227;o vai mais um pedido de presentes. Por&#233;m, pe&#231;o que deixe os duendes cuidando da log&#237;stica de distribui&#231;&#245;es por alguns minutos e leia com aten&#231;&#227;o o conte&#250;do dessa carta. Sabe, Noel, n&#227;o lembro de ter escrito alguma carta para ti durante toda a minha inf&#226;ncia. Talvez pelo fato de saber que meus presentes viriam de qualquer jeito, e tamb&#233;m por n&#227;o ambicionar brinquedos imposs&#237;veis de se ganhar, daqueles que s&#243; recorrendo &#224; tua pessoa, mas a verdade &#233; que, oficialmente, nunca nos comunicamos (a n&#227;o ser quando meu pai se vestia com teus trajes). Bom, mas para tudo h&#225; uma primeira vez, n&#227;o &#233;? E a minha, por sinal, tem um fim diferenciado, j&#225; que n&#227;o estou escrevendo para pedir, e sim para agradecer. N&#227;o sei se algu&#233;m faz isso depois que passa o Natal, se te enviam cartas agradecendo pelas solicita&#231;&#245;es atendidas, ou mesmo se no P&#243;lo Norte existe alguma esp&#233;cie de SAC, para atender a reclama&#231;&#245;es, trocas de roupas com tamanhos errados, pe&#231;as faltando em brinquedos, bonecas que n&#227;o falam, essas coisas. Ou, ainda, se te enviam qualquer tipo de felicita&#231;&#227;o pelo Ano Novo, nem que sejam teus amigos mais pr&#243;ximos, como o Coelho da P&#225;scoa, a galera do pres&#233;pio e os pr&#243;prios parentes da Mam&#227;e Noel. De qualquer forma, resolvi redigir esta carta antes do Natal, como forma de reconhecer teu esfor&#231;o, pois, mesmo nos &#225;ureos anos da melhor idade, segues firme alegrando crian&#231;as pelo mundo afora, usando os mais diversos nomes (n&#227;o deve ter sido f&#225;cil aprender tantas l&#237;nguas). Bem, raciocinando logicamente, tu deves estar pensando no porqu&#234; de eu te mandar essa carta agradecendo, se mencionei antes que jamais havia escrito para ti antes, n&#227;o &#233;? Elementar, meu caro Noel, eu j&#225; esperava por isso. Voc&#234;s, figuras folcl&#243;ricas, sempre desconfiados. Sei que deves estar pensando &#8220;quero ver quando vier a facada&#8221;, afinal de contas, s&#227;o teus cavacos da profiss&#227;o, ainda mais n&#243;s, brasileiros, que costumamos agradar bastante inicialmente, de modo a persuadir a pessoa e amolec&#234;-la a ponto de n&#227;o recebermos um n&#227;o como resposta na hora do pedido. &#201;, mas n&#227;o &#233; disso que vou tratar a partir de agora. Noel, Noel, sabes que, quando somos crian&#231;as, &#233; f&#225;cil crer na tua exist&#234;ncia. O mundo imagin&#225;rio dos pequenos permite aceitar a id&#233;ia de um velhinho obeso que, todo fim de ano, carrega um pesado saco nas costas, cheio de brinquedos, e distribui gratuitamente a todas as crian&#231;as do mundo. Al&#233;m disso, n&#227;o surge sequer uma d&#250;vida quanto aos teus meios de transporte, ou aos meios que usas para atender a demanda infantil em todo o globo terrestre, j&#225; que consegues executar a tarefa com &#234;xito num curto espa&#231;o de tempo. Tuas roupas tamb&#233;m n&#227;o s&#227;o questionadas pelos c&#233;rebros infantes, preocupados apenas em receber seus presentinhos. Agora, convenhamos, num pa&#237;s tropical como o Brasil, em pleno m&#234;s de dezembro, usar casaco, botas, gorro e ainda ostentar esta vasta barba branca, &#233; tarefa digna de um m&#225;rtir. Baseado nesses argumentos, n&#243;s, os adultos, come&#231;amos a questionar tua real exist&#234;ncia e, furtivamente, te classificamos como parte do folclore. Digo furtivamente, porque &#233; a maneira mais f&#225;cil de encontrar alguma l&#243;gica nas hist&#243;rias que nossos pais contavam durante a inf&#226;ncia, de que &#8220;se n&#227;o te comportares, o Papai Noel n&#227;o trar&#225; teus presentes no Natal&#8221;. Que maldade, n&#233;, creditar a ti a culpa por poss&#237;veis deslizes que vi&#233;ssemos a cometer. Pessoalmente, nunca acreditei piamente no fato de tu sa&#237;res l&#225; do P&#243;lo Norte, com tuas renas de estima&#231;&#227;o, e se largar mundo afora em dire&#231;&#227;o a Novo Hamburgo, tudo isso apenas para me trazer um helic&#243;ptero do Rambo, cujas h&#233;lices duraram poucos minutos em minhas desastrosas m&#227;os. Ora, Noel, sei bem que foi minha m&#227;e quem o comprou, pediu para a mo&#231;a da loja embalar e deixou perto do pinheirinho, na inten&#231;&#227;o de me iludir e fazer com que eu acreditasse que tu tinhas mesmo deixado ali para mim. Com o passar do tempo, &#224; medida que cresci, comecei a analisar os fatos, juntar pistas, informa&#231;&#245;es, prestar mais aten&#231;&#227;o nas aulas de Hist&#243;ria, at&#233; que, finalmente, consegui chegar &#224; conclus&#227;o mais sensata a respeito da tua exist&#234;ncia. Confessa, Jesus! &#201;s tu, danado, que criaste essa personagem, de modo a imbuir as criancinhas na do&#231;ura do bom velhinho e obter bom comportamento durante todo o ano. Ora, meu caro, foram anos de pastoral da juventude, indo &#224; missa, interpretando passagens b&#237;blicas, estreitando nossos la&#231;os. Como pudeste subestimar minha intelig&#234;ncia? Tudo come&#231;ou com o famoso &#8220;deixai vir a mim as criancinhas, porque delas &#233; o Reino dos C&#233;us&#8221;. Depois, as hist&#243;rias de Santa Claus, um religioso que distribu&#237;a presentes aos carentes. Some a isso o fato de o Papai Noel aparecer justamente no teu anivers&#225;rio e a inteligent&#237;ssima manobra de fixar sua resid&#234;ncia no P&#243;lo Norte, contraponto ao &#225;rido clima da Galil&#233;ia, que considero um grande despiste aos desavisados. Eu confesso que, analisando pelo &#226;ngulo da descren&#231;a geral das pessoas em ti, corrompidas por tantas interroga&#231;&#245;es e d&#250;vidas a respeito da Igreja, que insistem em afastar todos da f&#233;, camuflar-se de Noel consiste numa forma de manter um elo com a humanidade. Infelizmente, as pessoas est&#227;o cada vez mais compelidas &#224; rebeldia, ostentando a impon&#234;ncia de n&#227;o precisar crer no que a Igreja Cat&#243;lica prega e, a partir disso, tratar de apedrej&#225;-la &#224; vontade. Mal sabem estes que a f&#233; vai muito al&#233;m disso. Que, te classificar como Jesus Cristo, o filho de Deus, nada mais &#233; do que uma forma de cultivar o bem, sem precisar criticar as pessoas que acreditam em outros deuses, j&#225; que todos estamos sob a batuta de uma for&#231;a maior, por mais que discursos ate&#237;stas insistam em tomar caminhos contr&#225;rios. E &#233; justamente por isso que eu venho te agradecer, Noel, Jesus, ou seja l&#225; por qual nome te chamem. Muito obrigado por, em 2007, teres me devolvido a cren&#231;a na vida, no sentido de praticar o bem e acreditar que minhas atitudes tamb&#233;m podem ser um presente na vida das pessoas. Agrade&#231;o por fazer de mim um instrumento do Papai Noel, atrav&#233;s da voz, do cora&#231;&#227;o, da escrita, enfim, atrav&#233;s da minha pessoa. Obrigado por estabilizar meus passos, pela maturidade que me concedes diariamente e por me mostrar que n&#227;o estou sozinho nessa caminhada di&#225;ria. Na pr&#243;xima semana, ser&#225;s denominado Papai Noel, durante o ano foste algumas vezes Jesus Cristo, outras vezes o &#8220;meu Deus do c&#233;u&#8221;, por&#233;m, intrinsecamente, sei que tens o nome mais curto de todos, que rege meus passos e alimenta meus sentimentos, atitudes e viv&#234;ncias: F&#201;.</description>
			<link>http://quemomento.blog.terra.com.br/carta_ao_papai_noel</link>
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			<title>Pr&#233;via das f&#233;rias</title>
			<description>Para muitos, pode ser uma segunda-feira comum, chata, tediosa. N&#227;o para mim. Ap&#243;s um vigorante fim-de-semana na fazenda, n&#227;o h&#225; Cristo que me tire o sorriso do rosto, que vai de orelha a orelha. Depois de mais de um m&#234;s longe da quer&#234;ncia, retornei ao pago bendito para um descanso, uma tradicional campereada, para ver como v&#227;o as coisas e fotos, muitas fotos. Al&#233;m disso, h&#225; o fato de que esta segunda inicia com cara de quarta, j&#225; que daqui a dois dias iniciam as minhas t&#227;o sonhadas f&#233;rias, ap&#243;s um ano de labuta e muitas coisas vividas e partilhadas aqui neste espa&#231;o. N&#227;o h&#225; nada melhor para mim do que ir para um lugar que amo e descansar. Ainda mais em S&#227;o Chico, perto dos meus av&#243;s, curtindo a natureza, o ar do campo e todas as maravilhas que aquela terra oferece. Bem, meus caros, sei que esse modo &#8220;stand by&#8221; de escrever est&#225; longe de ser o ideal e que estou devendo a mim mesmo algo mais encorpado. Creio que essa semana sai, tive algumas id&#233;ias legais, que podem virar texto no decorrer da semana. No entanto, neste momento estou empenhado no acabamento da vers&#227;o 2008 do Que Momento. Sim, teremos novidades em breve... aguardem! =]</description>
			<link>http://quemomento.blog.terra.com.br/previa_das_ferias</link>
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			<title>Boca livre</title>
			<description>N&#227;o sei quanto a voc&#234;, mas, falou em comida de gra&#231;a, falou comigo. N&#227;o h&#225; nada mais saboroso do que empanturrar-se sem tirar um &#250;nico centavo do bolso. De iscas de caviar a arroz com feij&#227;o, tudo vira uma del&#237;cia, pelo simples fato de ser gratuito. Podem chamar de avareza, como quiserem. Somem &#224; gula que me &#233; peculiar, e teremos a&#237; dois pecados capitais que eu ostento sem nenhuma hipocrisia. Como diz o ditado, de gra&#231;a, at&#233; inje&#231;&#227;o na testa. Eis que ontem tivemos uma apresenta&#231;&#227;o do coral num leil&#227;o beneficente organizado pela primeira-dama de Novo Hamburgo. Aqui pra n&#243;s, mas primeira-dama serve s&#243; pra organizar frescuras. &#201; impressionante a pompa desses eventos, eu fico todo deslocado, parecendo um caipira andando de escada rolante pela primeira vez na vida. Gente da alta sociedade fala com a voz suave, sem excessos, porta-se com garbo e eleg&#226;ncia, parece at&#233; que t&#234;m uma placa de cimento nas costas para manter a coluna ereta. J&#225; n&#243;s, os varzeanos, falamos alto, somos espalhafatosos, damos gargalhadas hom&#233;ricas, enfim, parecemos um bando de gansos tomando banho na lagoa, &#233; uma algazarra sem igual. Pois &#233;, no coral h&#225; alguns dessa esp&#233;cie, na qual me incluo solenemente. Foi s&#243; meu faro canino detectar que havia petiscos e acepipes, que a boca j&#225; come&#231;ou a salivar, e fitei incisivamente a bandeja do gar&#231;om, que, compadecido daquela minha cara de cachorro em frente ao a&#231;ougue, disse: &#8220;j&#225; trago uma pra voc&#234;s&#8221;. Deus do c&#233;u, que manjar inigual&#225;vel! Atraquei-me naqueles salgadinhos feito uma piranha quando cai um boi no rio. Dentadas e mais dentadas, aquela mastigada &#8220;joga pra um lado, pra outro e engole&#8221;, pra n&#227;o dar muito tempo do est&#244;mago enjoar, e d&#234;-lhe comilan&#231;a. No entanto, cinco minutos ap&#243;s o gar&#231;om nos servir, eis que a mo&#231;a do microfone chama o coral para cantar duas m&#250;sicas. Bom, voc&#234;s n&#227;o t&#234;m no&#231;&#227;o do que foi a cena. Imaginem umas vinte pessoas levantando de boca cheia, limpando os dentes &#224;s pressas, engolindo pastelzinho de camar&#227;o inteiro e bebendo goles de refrigerante na corrida para liberar a voz. No meio da segunda m&#250;sica, me veio um peda&#231;o de camar&#227;o que estava estrategicamente guardado atr&#225;s de um pr&#233;-molar, e parou no meio da l&#237;ngua. Que agonia! Na primeira respira&#231;&#227;o que consegui puxar, mandei o danado para o est&#244;mago de uma vez por todas. Terminada a apresenta&#231;&#227;o, nos avan&#231;amos novamente na segunda remessa de del&#237;cias, o que garantiu a minha janta para os pr&#243;ximos dois dias. Logo come&#231;ou o desfile das pe&#231;as do leil&#227;o, quando percebi que realmente fazer parte da alta sociedade de Novo Hamburgo n&#227;o &#233; uma tarefa barata. Bolsas com lance inicial de 190 reais, pra n&#227;o falar nuns absurdos de trezentos e l&#225; vai pedra. O cara compra uma bolsa daquelas pra namorada, e nunca que vai guardar dentro dela a quantia de dinheiro que pagou. Sem falar nas roupas, n&#233;. Uns modelos que a gente pode procurar na cidade inteira, que n&#227;o encontra uma s&#243; pessoa usando algo parecido. &#8220;Couro plissado&#8221;, ora, fa&#231;a-me o favor, nunca vi algu&#233;m usando isso para algo diferente de tapete de carro, ou forro de chinelos. Mas, como gosto n&#227;o se discute, preferi ficar quieto e apenas arregalar os olhos cada vez que ouvia os pre&#231;os absurdos dos lances iniciais, ainda mais para quem tinha miser&#225;veis cinco reais na carteira. Saindo do leil&#227;o, fomos ao Centro de Cultura assistir &#224; apresenta&#231;&#227;o de Natal do coro do Jader, com a orquestra de sopros. Infelizmente, chegamos um pouco tarde, mas ainda deu tempo de, no final, alcan&#231;armos a ... boca livre! Sim! Na sa&#237;da do teatro, eis que me deparo com bandejas e mais bandejas de merengues, junto com vasilhas de vidro abarrotadas de morango. Valha-me Deus, nem eu sabia que gostava tanto de morangos, ainda mais gratuitos! Devo ter comido uns trinta, ao mesmo tempo em que descobri que morango &#233; minha fruta favorita. Pelo menos ontem foi. O fato &#233; que ontem a janta foi um primor, que me levou, inclusive, a comer apenas um singelo sandu&#237;che hoje no almo&#231;o, tamanha a fartura da minha refei&#231;&#227;o noturna do dia anterior. Mas, como infelizmente a fome retorna depois de um tempo, preciso me contentar com a lembran&#231;a daquela montanha de salgadinhos, merengues e morangos, que ficar&#227;o na minha lembran&#231;a como um dia gastronomicamente perfeito. Portanto, se algu&#233;m a&#237; souber de uma boca livre por perto, n&#227;o titubeie e me avise!</description>
			<link>http://quemomento.blog.terra.com.br/boca_livre</link>
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